Da produção de medicamentos e dermocosméticos ao controle ambiental e sanitário, profissionais da Química ajudam a garantir segurança e qualidade na medicina veterinária e contribuem para a Saúde Única
O mercado de produtos para animais de estimação e de produção consolidou uma transformação estrutural que vai além do crescimento expressivo do faturamento e do volume industrial. O ecossistema veterinário exige, em escala crescente, formulações de maior complexidade físico-química, estabilidade e controle de qualidade, processos industriais rigorosos e vfalidação científica contínua. Durante a PET VET EXPO 2026, realizada na segunda quinzena de agosto, em São Paulo, essa intersecção entre biologia animal, clínica médica e caracterização e controle físico-químico esteve no centro dos debates técnicos.
A presença institucional do Conselho Federal de Química (CFQ) e do Conselho Regional de Química da 4ª Região (SP) no evento colocou em evidência um aspecto decisivo para o setor: a Química viabiliza desde o desenvolvimento e a caracterização de princípios ativos de uso veterinário até o desenvolvimento de saneantes hospitalares, bem como dermocosméticos específicos formulados de acordo com as características fisiológicas e cutâneas das diferentes espécies e rações com perfis nutricionais formulados para diferentes necessidades fisiológicas e metabólicas.
A expansão do setor pet impõe uma elevação direta da exigência técnica. Longe de se restringir ao consultório ou ao manejo clínico, a cadeia de valor veterinária depende do controle de parâmetros físico-químicos, microbiológicos e operacionais, da rastreabilidade de matérias-primas e do controle sanitário qualificado.
Por que esse tema importa?
O cuidado com os animais está ligado à saúde das pessoas e ao meio ambiente. Essa relação é reconhecida pelo conceito de Saúde Única (One Health). Medicamentos usados de forma inadequada, produtos fora dos padrões ou resíduos descartados inadequadamente podem introduzir substâncias químicas potencialmente tóxicas ou persistentes no ambiente, com impactos sobre animais, pessoas, solo e recursos hídricos.
Por isso, a qualidade dos produtos veterinários também é uma questão de saúde pública.
Qual é o papel da Química?
A Química está presente desde a formação dos médicos-veterinários até a indústria. Ajuda a compreender as propriedades moleculares e físico-químicas dos fármacos, suas interações com o organismo e os processos relacionados à sua absorção, distribuição, metabolismo e eliminação, além de contribuir para o desenvolvimento de formulações, testes de qualidade, controle da produção e gerenciamento, tratamento e destinação ambientalmente adequada de resíduos.
A conselheira federal, Ana Paula Cristina Farias Sayd, participou do evento e ressaltou essa atuação. “O Profissional da Química está inserido em todas as etapas da cadeia produtiva dos produtos para a linha pet, sejam eles de pequeno porte, animais silvestres ou de grande porte. O espectro vai além do laboratório tradicional: envolve engenheiros de alimentos, tecnólogos e gestores ambientais. Em indústrias de nutrição, por exemplo, o gerenciamento e a segregação de coprodutos e matérias-primas de origem orgânica destinados à alimentação animal são conduzidos por gestores ambientais da Química. Nosso papel é evidenciar a presença dessa base científica para toda a sociedade.”
Já a conselheira federal, Maria Inez Auad Moutinho, destacou o papel da fiscalização no setor. “Todas as indústrias do setor pet que manipulam formulações contam com a atuação técnica da Química. A atuação do Sistema CFQ/CRQs foca na fiscalização e na habilitação de excelência para coibir o exercício ilegal da profissão e o charlatanismo, que representam riscos graves à saúde coletiva. A presença de um profissional devidamente habilitado contribui para assegurar que o produto colocado no mercado atenda aos requisitos de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos para sua finalidade e condições de uso.”
A estudante de Medicina Veterinária, Clara Letícia, visitou o estande do CFQ no evento e também destacou a conexão entre as áreas: “Descobri aqui o quanto a Química está presente na rotina do médico-veterinário. Desde a formulação cosmética até as medicações avançadas, tudo depende dessa base, e compreender esse universo amplia nossa visão profissional”, afirmou.
Outra visitante do estande, Priscila Cervelini, também destacou a conexão entre as áreas e a importância dessa aproximação.“Fiquei muito impressionada pela qualidade das ferramentas interativas e por entender como a Química está conectada aos veterinários. A Química é a base de tudo, e ver essa conexão clara em um evento veterinário reforça a confiança nos produtos desenvolvidos.”
Legislação e fiscalização
No Brasil, a produção de itens veterinários segue regras estabelecidas por órgãos reguladores, como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Conforme a atividade desenvolvida, as empresas precisam contar com profissionais habilitados e responsáveis técnicos.
A fiscalização contribui para combater irregularidades e verificar se produtos e processos seguem as normas de segurança e qualidade.
Desafios e próximos passos
Entre os desafios do setor estão o desenvolvimento de novos medicamentos e cosméticos adequados às diferentes espécies, a disponibilidade e a qualidade dos insumos, a estabilidade e o controle de qualidade das formulações, o controle de contaminantes e o gerenciamento adequado de resíduos.
A tendência é que biotecnologia, inovação e sustentabilidade estejam cada vez mais conectadas. Formação profissional, fiscalização e diálogo entre os setores serão fundamentais para que o mercado veterinário cresça com segurança e responsabilidade.
Crédito da imagem: Marina Gadelha/Conselho Federal de Química
Fonte: https://cfq.org.br/noticia/como-a-quimica-sustenta-a-seguranca-a-inovacao-e-a-biosseguranca-no-mercado-veterinario/