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Existem diferenças entre ciência e tecnologia? |
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João Guilherme Rocha Poço, PhD, IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
Conceitualmente, a diferença entre ciência e tecnologia é simples: “science produces ideas whereas technology results in the production of usable objects…” (Wolpert, Lewis. The Unnatural Nature of Science, Harvard University Press, 1998)”.
Historicamente, a tecnologia é anterior à ciência. Foi a utilidade da tecnologia, representada pela habilidade de produzir ferramentas e dominar o meio ambiente, o diferencial para a evolução humana. Já nos dias de hoje, a tecnologia é considerada como sendo baseada em ciência, ou seja, trata-se de ciência aplicada. Cada novo avanço científico pode resultar numa nova aplicação, veja por exemplo o Mini HD do IPOD, que é baseado em propriedades magnéticas do ferro que resultaram recentemente em prêmio Nobel.
Essa visão moderna de que a ciência caminha à frente da tecnologia pode vir a comprometer alguns desenvolvimentos tecno-científicos que estão em gestação. Gostaria de citar um exemplo que aparece de forma recorrente: o tratamento magnético de água. Não há conhecimento fenomenológico estabelecido nem teoria comprovada do porquê esse tratamento parece funcionar.
Uma rápida varredura no Chemical Abstracts sobre publicações desde início do século passado mostrou que havia interesse científico pelos efeitos do campo magnético sobre as substâncias e organismos. Esse interesse culminou no desenvolvimento da importante técnica denominada ressonância magnética nuclear (RMN). Entretanto, após esse desenvolvimento, que tomou rumo próprio, o interesse sobre os efeitos do campo magnético diminuiu. Dessa forma, não existe na literatura quase nada que explique qual o efeito do campo magnético sobre a água e a origem da memória desse efeito. E é possível que teorias atômico-moleculares existentes não sejam suficientes para explicar tal efeito. Esse é mais um caso, e não será o último, em que a tecnologia está na frente da ciência (existem aparatos que fazem tratamentos magnéticos para desincrustar e evitar incrustações em tubulações e caldeiras). O que tem sido verificado, entretanto é que os efeitos são proporcionais à velocidade do fluido, à magnitude do campo e dependem do soluto. Quanto às explicações só existem especulações.
Assim sendo, é perigoso assumir que a ciência é um pré-requisito para a tecnologia. O fato é que há algumas diferenças na forma como a academia e as indústrias encaram esses assuntos. Este ponto é particularmente relevante, tendo em vista a forma como alguns órgãos de fomento lidam com questões de inovação nas empresas, exigido uma adaptação constante do posicionamento frente a essa questão. |
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Data de publicação: 10 de Junho de 2008 |
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