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    Poluentes das águas cada vez mais preocupantes: os medicamentos    
   "Entre todas as fontes de poluição das águas há uma que vem se tornando mais e mais preocupante: é aquela oriunda do consumo de medicamentos pelo homem e pelos animais de criação". Dirijo uma equipe que trabalha para avaliar o estado de contaminação dos rios e oceanos. Tentamos, de modo geral, identificar as fontes de contaminação e seu impacto sobre a saúde e hierarquizar os riscos ligados a essa disseminação. Há uns dez anos, estivemos entre os primeiros a levantar a questão do futuro, no meio ambiente, de moléculas utilizadas em produtos farmacêuticos e parafarmacêuticos (dermocosméticos, produtos de emagrecimento, nutrição e dietética, etc).

Quebra de DNA

Nos rios, encontra-se de tudo! Hormônios oriundos dos contraceptivos, anticancerígenos, opióides, antiinflamatórios, antibióticos... Essa afluência pode ser explicada facilmente: a população aumenta, o consumo desses produtos também, mais rápido que a demografia, e as estações de tratamento de águas usadas saturam, e isso ainda mais porque não foram concebidas para bloquear esse tipo de molécula. Uma parte dentre elas passa das urinas aos rios. Algumas chegam aí degradadas, outras sob a forma inicial. Tentamos, em trabalho de campo, marcar, avaliar sua concentração, encontrar suas fontes. E avaliar, em laboratório, sua toxicidade e fazer uma modelagem de seu impacto possível sobre a cadeia de organismos que utiliza essas águas contaminadas: a fauna; a flora; as culturas; o homem e os animais domésticos. Trabalhamos tipicamente no laboratório com peixes ou mexilhões.

Observamos fenômenos como uma quebra do DNA após uma exposição a tal ou tal molécula. Mas isso não é suficiente para concluir. É preciso avaliar as capacidades do organismo de reparar essas quebras. E ver se o que se passa em nível de um peixe é significativo em nível de uma população de peixes. Faltam ainda dados nesse campo de investigação muito amplo e muito novo.

Sua complexidade é reforçada pelo fato de que as moléculas se modificam na água. Os produtos de degradação são às vezes mais tóxicos que a molécula inicial. E, além disso, há o problema das misturas, na água, entre substâncias que podem, por sinergia, ser mais tóxicas que separadamente. Quais? Essa questão é colocada para os produtos químicos reavaliados em nível europeu no quadro dos acordos Reach. Mas a indústria farmacêutica terá que se preocupar, ela também, com o impacto ambiental dessas moléculas.

Toxicologia

"Para nós, é uma nova área de colaborações que se abre entre especialistas da ecologia, da toxicologia, da epidemiologia. Um exemplo: parece que os antibióticos ministrados em grande quantidade ao gado se encontram nos estábulos, os quais se alastram e podem entrar nas plantas... Com quais efeitos? Acabamos de lançar sobre essa questão um programa de pesquisa coordenado pelo INRA (Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária da França). Trata-se de um programa importante, no momento em que nos esforçamos para diminuir a circulação de antibióticos, para não acelerar o aparecimento de bactérias resistentes a essas preciosas moléculas medicamentosas."

Libération (www.liberation.fr), consultado em 17 de dezembro de 2007 (Tradução - MIA).

Nota do Managing Editor:

O texto apresentado nesta matéria foi recolhido por Corinne Bensimon, baseado em entrevista com a química Hélène Budzinski, da Universidade de Bordeaux e do Centro Nacional de Pesquisa Cientifica da França (CNRS). As ilustrações apresentadas não constam do original e foram obtidas em www.google.com.

Nota do Scientific Editor:

A despeito da importância desta temática que, como vimos, é altamente multidisciplinar e está diretamente ligada à qualidade dos mananciais e bacias que abastecem as grandes regiões metropolitanas do país, a presença de medicamentos nas águas, sejam águas servidas, rios ou mar, não tem merecido grande destaque no contexto brasileiro. A exceção fica para os estudos realizados pela equipe do Professor Wilson de Figueiredo Jardim, do Instituto de Química da UNICAMP. Informe-se: (wfjardim@iqm.unicamp.br).

Em reportagem no Jornal da Unicamp de dezembro de 2006, Jardim faz importantes revelações sobre a presença de compostos derivados de fármacos, hormônios sexuais e produtos industriais presentes na água consumida na Região Metropolitana de Campinas.

Clique aqui e acesse o LQES News

Sobre a imagem: Vista geral da usina de tratamento de esgoto ETA-3, Campinas, SP, Brasil.

Créditos da imagem: Geocities
 
  Data de publicação: 29 de Janeiro de 2008Autor: LQES News  

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